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DAIS
 


18 de junho — Agora, passou a se interessar pelas aranhas e tem vários exemplares, muito grandes, numa caixa. Alimenta-as com suas moscas, cujo número diminui, embora ele se utilize de metade de seu alimento para apanhá-las.



Escrito por DAIS às 10h08
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5 de junho — Quanto mais interessante se torna o caso de Renfield, menos compreendo. Ele possui certas qualidades muito desenvolvidas: personalidade, capacidade de guardar segredo e curiosidade. Queria saber qual é o objetivo dessa última qualidade. Parece ter arquitetado algum plano. Sua maior qualidade é o amor pelos animais, embora, às vezes sua atitude me leve a crer que é apenas anormalmente cruel. Seu passatempo agora é pegar moscas. Tem uma enorme quantidade delas.



Escrito por DAIS às 10h05
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25 de julho — Cheguei aqui com Lucy há uma hora e tivemos uma conversa muito interessante com meu velho amigo e dois outros que sempre ficam com ele e que o consideram, sem dúvida, como seu mestre. Lucy estava linda, com seu vestido branco; ganhou uma bela cor depois que chegou aqui. Notei como os velhos vêm se sentar ao seu lado, mal ela aparece. Também, é tão amável com eles!

Insisti com o velho marinheiro sobre as lendas, mas ele, mais uma vez, deu mostra de seu ceticismo.

Eu e Lucy ficamos algum tempo, e ela me falou de novo a respeito de Arthur e de seu próximo casamento. Isso me fez sofrer um pouco, pois há um mês não tenho notícias de Jonathan.

Mesmo dia — Vim aqui sozinha, pois estou muito triste. Não havia carta para mim. Espero que tudo esteja correndo bem para Jonathan. O relógio acaba de bater nove horas. Contemplo as luzes da cidade e penso em Jonathan. Onde estará a uma hora destas? Por que não está aqui, perto de mim?



Escrito por DAIS às 10h05
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24 de julho — Whitby — Lucy foi me esperar na estação e de lá fomos para a casa em Crescent, onde elas alugaram quartos.

É um lugar lindo. O rio Ersk atravessa o vale; que vai se alargando, à medida que se aproxima do porto. À direita da cidade, ficam as ruínas da Abadia de Whitby, que dizem ser mal-assombrada pela Dama de Branco. Entre essas ruínas e a cidade, fica outra igreja, a paroquial, rodeada por um grande cemitério. Na minha opinião, é o lugar mais bonito de Whitby, pois de lá se tem uma vista linda para o porto. Muita gente passeia por ali e senta-se nos bancos, admirando a paisagem. É de um desses bancos que escrevo estas linhas. A meu lado, está sentado um velho marinheiro, de rosto queimado pelo sol. Diz que tem quase cem anos e era marinheiro da frota de pesca da Groenlândia por ocasião de Waterloo. Creio que é um tanto cético, pois, quando lhe perguntei pela Dama de Branco, respondeu:

— Não acredito nisso, senhorita. São coisas que passaram. Não digo que não tenham existido, mas não foram de meu tempo.

Quando o relógio bateu seis horas, ele se levantou, com esforço, explicando-me:

— Tenho de voltar para casa, senhorita. Minha neta não gosta de me esperar para o chá.

Afastou-se, descendo a escada o mais depressa que pôde. Essa escada é uma característica deste lugar. Vai da cidade à igreja e tem centenas de degraus, fazendo uma curva discreta. A encosta é tão suave que até a cavalo pode ser galgada.

Agora, vou para casa. Lucy saiu, para fazer visitas com sua mãe, mas já deve ter voltado.



Escrito por DAIS às 10h04
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25 de maio — No abatimento em que me encontro, depois da recusa que sofri, creio que o melhor remédio é o trabalho. Escolhi um doente que promete um estudo muito interessante.

Interroguei-o demoradamente, a fim de compreender as razões de sua alucinação.

R. M. Renfield, idade, 59. — Temperamento sanguíneo; grande força física; períodos de depressão, terminando com alguma idéia fixa. Possivelmente homem perigoso, provavelmente perigoso não sendo egoísta. Os homens egoístas são menos perigosos, por terem cuidado consigo.




Escrito por DAIS às 10h03
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24 de maio

Minha querida Mina:

Muitas vezes obrigada pela sua amável carta. Foi tão agradável recebê-la!

Minha querida, imagine que eu, que vou fazer vinte anos em setembro, e nunca fora pedida em casamento, fui agora pedida três vezes! Imagine! Três vezes, no mesmo dia.

Sinto-me tão feliz, Mina, que nem sei o que fazer! Três pedidos. Mas, por favor, não conte às outras moças, senão vão fazer as idéias mais extravagantes. Há moças tão fúteis! Eu e você, Mina, estamos noivas e podemos desprezar a vaidade.

Mas deixe-me falar sobre os três pedidos. O primeiro pretendente, que veio antes do almoço, é o Dr. John Seward, diretor do hospício, sobre o qual já lhe falei. Parecia muito calmo, mas, na verdade, estava nervoso. Tinha, sem dúvida, pensado, antes, em inúmeros detalhes, mas quase sentou em cima de sua cartola, o que os homens em geral não fazem, quando estão calmos, e ficou o tempo todo brincando com uma lanceta, quase me fazendo dar um grito. Falou-me diretamente. Disse-me quão cara eu lhe era, embora me conhecesse tão pouco. Estava dizendo como seria infeliz se eu não me interessasse por ele, mas, vendo-me chorar, exclamou que era um bruto e não iria aumentar minha perturbação. Depois, perguntou-me se poderia amá-lo algum dia. Sacudi a cabeça e suas mãos ficaram trêmulas e, depois de hesitar um pouco, perguntou-me se eu gostava de outro. Achei que devia lhe dizer sim. Apenas lhe disse isso e ele me disse que desejava que eu fosse feliz e que, se precisasse de um amigo, devia contar com ele. Não posso deixar de chorar, Mina; peço desculpas por esta carta toda manchada. Paro aqui, pois me sinto tão triste, no meio de minha félicidade!...

À noite

Arthur acaba de sair e encontro-me num estado de espírito melhor do que quando interrompi a carta, por isso vou continuar a contar o que se passou durante o dia.

O número dois apareceu depois do almoço. É um rapaz muito simpático, americano do Texas, e parece tão jovem que custa a acreditar que tenha estado em tanto lugares e vivido tantas aventuras. Mr. QuinCey. Morris encontrou-me sozinha. Parece que um rapaz sempre encontra a gente sozinha, mas não é, pois Arthur procurou duas vezes a oportunidade e eu sempre o ajudando o mais que podia; não me envergonho de contar. Mas, como ia dizendo, Mr. Morris sentou-se a meu lado, segurou-me a mão e disse:

— Miss Lucy, não sou digno de desatar-lhe os sapatos, mas, para encontrar um homem que seja digno da senhora, talvez tenha de esperar muito tempo. Na falta de outro melhor, não se contentaria com um marido imperfeito?

Parecia tão bem-humorado, que me foi muito menos difícil responder-lhe negativamente do que ao pobre Dr. Seward. Assim, disse-lhe, tão despreocupadamente quanto pude, que não sentia pressa de me casar. Ele retrucou, então, que esperava que, se tivesse falado de modo que nem parecera leviano para uma ocasião tão séria, eu lhe perdoaria. E acabou, realmente, falando com seriedade. Fiquei nervosa, e ele percebeu minha agitação.

— Sim — confessei-lhe. — Realmente, amo outro, embora ele ainda não tenha me dito que me ama.

— A senhora é uma moça leal — disse ele. — Se já gosta de outro, só me resta resignar-me, mas pode crer que serei sempre seu amigo dedicado.

Tudo isso me agitou muito, querida, e não posso descrever agora minha felicidade, depois de lhe haver contado tudo isso.

Sua afetuosa amiga

LUCY

P. S. — Não há necessidade de dizer o nome do número Três, que você já deve ter adivinhado. E tudo aconteceu tão rapidamente! Ele entrou e abraçou-me. Sinto-me transbordante de alegria. Tudo que me resta no futuro é mostrar que não sou ingrata para com Deus por me dar esta felicidade, este apaixonado, marido e amigo. Adeus.




Escrito por DAIS às 10h03
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9 de maio

Querida Lucy:

Peço-lhe perdão por ter custado tanto a lhe escrever, mas é que estou assoberbada de trabalho. A vida de uma professora assistente é muito trabalhosa. Estou ansiosa para encontrar-me contigo à beira-mar, onde poderemos conversar à vontade e fazermos nossos castelos no ar. Tenho treinado muito taquigrafia, pois, assim, poderei ajudar a Jonathan, quando nos casarmos. Ele, às vezes, escreve-me cartas estenografadas, para eu treinar, e sei que também taquigrafa. suas notas de viagem. Quando estiver com você, vou escrever um diário, também taquigrafado, que será ótimo para exercitar-me.

Jonathan só me escreveu alguma linhas da Transilvânia. Está passando bem e regressará dentro de uma semana, mais ou menos.

Estou aflita para ouvir todas as novidades que ele tem para contar. Deve ser tão bom conhecer países estrangeiros!... Mas o relógio está batendo dez horas. Adeus.

Afetuosamente.

MINA

P.S. — Dê-me notícias completas, quando escrever. Há muito tempo que nada me conta. Ouvi certos boatos, em particular sobre um rapaz alto, moreno, de cabelos encaracolados...

CARTA DE LUCY WESTENRA A MINA MURRAY

7 Chatman Street

Quarta-feira

Minha querida Mina:

Não tem razão de censurar-me. Já lhe escrevi duas vezes e, além de tudo, nada tenho para lhe contar. A vida na cidade está correndo de maneira muito agradável e temos ido bastante às galerias de pintura e passeado a pé e de carro no parque. Quanto ao rapaz alto, de cabelos encaracolados, trata-se de Mr. Holmwood. Ele nos visita com freqüência e se dá muito bem com mamãe. Conhecemos um rapaz que seria excelente partido para você, se já não fosse noiva do Jonathan. É um ótimo partido, bonito e de boa família e, além disso médico de muito futuro. Imagine! Tem 29 anos, dirige um imenso hospício! Mr. Holmwood apresentou-o a mim e ele veio nos fazer uma visita, e tem vindo muitas vezes depois. Creio que é o homem mais resoluto que já vi e, no entanto, é muito calmo. Parece imperturbável. Imagino que maravilhoso poder deve ter sobre seus doentes. Tem o hábito curioso de encarar a gente bem no rosto como se estivesse querendo ler os pensamentos. Diz ele que eu lhe ofereço um curioso estudo psicológico. Como você sabe, não me interesso muito por vestidos, para poder lhe descrever as novas modas. A moda é tão cacete... Lá vem gíria outra vez, mas não faz mal. Arthur diz isto todo o dia. AI está, tenho que dizer... Não adivinha, Mina? Eu o amo. Sinto-me envergonhada de escrever isto, pois, embora ache que me ame, ele não declarou por palavras. Mas eu o amo, Mina. Queria estar junto de você, querida, para dizer-lhe o que sinto. Não sei como estou escrevendo isto, mesmo para você. Preciso parar. Adeus, Mina. Reze por mim, reze pela minha felicidade.

LUCY

P.S. — Não é preciso dizer que isto é segredo L.



Escrito por DAIS às 10h02
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5 de maio — Eu devia ter dormido, pois, se estivesse inteiramente acordado, tetia notado a aproximação de um lugar tão notável. Na escuridão, o pátio parecia muito grande e vários caminhos escuros davam para ele, através de grandes arcos arredondados, que talvez parecessem maiores do que eram na realidade.

Quando a caleça parou, o cocheiro me ajudou a descer. De novo não pude deixar de notar sua força prodigiosa. Em seguida, ele tirou minha bagagem, que colocou no chão ao meu lado, diante de uma grande e velha porta de ferro, que se abria na parede de pedra. Subindo de novo para a caleça, o cocheiro sacudiu as rédeas, os animais partiram e o carro desapareceu numa das passagens escuras.

Fiquei em silêncio, onde estava, sem saber o que fazer. Não havia sinal de campainha, ou de aldrava e não parecia provável que minha voz penetrasse aquelas paredes e janelas escuras. Tive a impressão de ter esperado um tempo infinito. Em que lugar viera me meter, e com que espécie de gente? Seria essa uma aventura banal na vida de um mero ajudante de procurador, que tinha de explicar a um estrangeiro a compra de uma propriedade em Londres? Ajudante de procurador! Mina não gostaria disso. Procurador, pois pouco antes de sair de Londres eu soubera que fora feliz no concurso que fizera. Era, agora, um procurador.

Tive de me beliscar e esfregar os olhos, para ver se estava acordado. Aquilo tudo estava me parecendo um pesadelo horrível e esperava acordar, de repente, em minha casa. Mas meus olhos não me iludiam. Estava realmente acordado, nos Cárpatos. A única coisa que me restava era ter paciência e esperar o amanhecer.

Justamente quando chegara a essa conclusão, ouvi, por trás da porta, passos pesados que se aproximavam. Uma chave girou na fechadura, com um rangido característico do desuso, e a pesada porta se abriu. No lado de dentro, estava de pé um velho alto, sem barba e com um comprido bigode branco, vestido de preto da cabeça aos pés. Trazia na mão uma velha lâmpada de prata, cuja chama lançava nas paredes sombras enormes. O velho fez-me sinal para entrar, com a mão direita, num gesto cortês, dizendo, em excelente inglês, mas com uma entonação estranha:

— Seja bem-vindo à minha casa! Entre por sua livre e espontânea vontade!

Não fez menção de avançar para vir ao meu encontro, deixando-se ficar imóvel como uma estátua, como se seu gesto de boas-vindas o tivesse petrificado. Logo que entrei, contudo, ele adiantou-se, impulsivamente, e apertou minha mão com uma força que me fez pestanejar, para o que também contribuiu o fato de sua mão ser fria como gelo — mais parecendo a mão de um morto que a de um vivo.

— Seja bem-vindo à minha casa — disse, de novo. — Entre à vontade, saia são e salvo e deixe aqui um pouco da felicidade que traz!

A força com que me apertou a mão era tão semelhante à que eu havia notado no cocheiro, cujo rosto não vira, que, por um momento, imaginei se os dois não seriam a mesma pessoa. Para me assegurar, perguntei:

— O Conde Drácula?

— Sou Drácula — respondeu ele, com uma mesura cortês. — E desejo-lhe boas-vindas à minha casa, Sr. Harker. Entre; a noite está fria e o senhor deve estar precisando comer e descansar.

Enquanto falava, colocou a lâmpada num nicho da parede e, antes que eu pudesse impedir, pegou minha bagagem. Protestei, mas ele insistiu:

— O senhor é meu hóspede. Já é tarde e meus criados não estão por aí. Deixe que eu mesmo cuide do senhor.

Fez questão de levar; ao longo de um corredor e de uma escada de pedra, após a qual seguiu por outro corredor de pedra, que terminava numa porta. No fim desse corredor, o Conde abriu uma pesada porta é regozijei-me, ao ver uma sala bem iluminada, com uma mesa posta para a ceia e uma lareira onde crepitava bom fogo.

O Conde depositou minha bagagem no chão, fechou a porta e, atravessando a sala, abriu outra porta, que dava para um pequeno quarto octogonal, iluminado por uma simples lâmpada e que parecia não ter janela alguma. Atravessando-o, abriu outra porta e me fez sinal para entrar. A vista era agradável: tratava-se de um grande quarto de dormir bem iluminado e aquecido por outra lareira. O próprio Conde colocou ali minha bagagem e disse, antes de fechar a porta:

— O senhor há de querer, depois da viagem, fazer sua toalete. Espero que encontre tudo que deseja. Quando terminar, pode passar para a outra sala, onde encontrará a ceia preparada.

A luz e o calor e a cortês recepção do Conde tinham dissipado minhas dúvidas e receios. Voltando ao meu estado normal, verifiquei que estava faminto; assim, depois de fazer uma toalete rápida, entrei na outra sala.

Encontrei a ceia já posta. Meu anfitrião, que estava de pé junto à lareira, mostrou a mesa, num gesto cortês, dizendo:

— Peço-lhe que sente e ceie à vontade. Espero que me desculpe por não lhe fazer companhia; mas já jantei e não costumo cear.

Entreguei-lhe a carta lacrada que o Sr. Hawkins me confiara. Ele a abriu e leu-a, gravemente, depois, sorrindo amavelmente, entregou-ma para que eu a lesse. Pelo menos um trecho dela deu-me grande prazer:

“Lamento que um ataque de gota, moléstia que me ataca com freqüência, me impeça, em absoluto, qualquer viagem num futuro próximo; mas tenho o prazer de comunicar que posso enviar um substituto plenamente capaz, no qual deposito absoluta confiança. É um jovem enérgico e talentoso, à sua maneira, e muito leal. É discreto e pouco falador e se fez homem trabalhando comigo. Estará à sua disposição, para ajudá-lo quando senhor desejar e receberá suas instruções respeito de todos os assuntos.”

O próprio Conde tirou a tampa de uma travessa e eu ataquei, imediatamente, um excelente frango assado, que, com queijo, salada e uma garrafa de velho Tokay, do qual tomei dois copos, constituiu minha ceia. Enquanto eu comia, o Conde me fez muitas perguntas sobre a viagem e contei-lhe todos os pormenores.

Quando acabei de cear, aquiescendo ao desejo de meu anfitrião, sentei-me numa cadeira junto do fogo e pus-me a fumar um charuto que ele me ofereceu, desculpando-se, ao mesmo tempo, pelo fato de não fumar. Tive, então, oportunidade de observá-lo e achei sua fisionomia altamente expressiva.

Tem nariz aquilino, narinas dilatadas, testa ampla e bela cabeleira, já rareando nas têmporas, mas muito abundante no resto da cabeça. Suas sobrancelhas são espessas, quase se encontrando sobre o nariz. A boca, pelo que pude ver, sob o bigode espesso, é firme e dura, e os dentes são particularmente aguçados e brancos, projetando-se entre os lábios, cuja cor demonstra extraordinária vitalidade para sua idade. Quanto ao resto, as orelhas são pálidas e muito pontudas, o queixo largo e forte e as faces firmes, embora finas. O que mais impressionava, no entanto, era sua extraordinária palidez.

Até então, eu tinha notado as costas, de suas mãos, que tinham me parecido brancas e finas; mas, vendo-as mais de perto, pude notar que eram bem grosseiras, com dedos fores. Por mais estranho que pareça, as palmas das mãos tinham cabelos. As unhas eram compridas e finas, terminando em ponta. Como o Conde se curvasse sobre mim, encostando-me as mãos, não pude conter um tremor. Talvez tenha sido por causa do seu mau hálito, mas o fato é que me dominou uma horrível sensação de náusea, que não pude esconder. O Conde notou-a, evidentemente, e recuou; e com uma espécie de sorriso que deixava ver melhor seus dentes salientes, sentou-se, de novo, do outro lado da lareira. Ficamos em silêncio durante algum tempo. Do vale, vinham os uivos de muitos lobos.

— Ouça-os... os filhos da noite — disse o Conde, com os olhos brilhando. — Que música fazem!

E, notando, sem dúvida, minha estranheza, acrescentou:

— Os senhores, habitantes da cidade, não podem compreender os sentimentos de um caçador.

Pôs-se de pé, depois acrescentou:

— Mas o senhor deve estar cansado. Seu quarto já está arrumado e amanhã poderá dormir até a hora que quiser. Tenho de me ausentar durante toda a tarde. Durma bem, portanto, e tenha sonhos agradáveis!

E, com uma mesura cortês, abriu-me a porta do aposento octogonal e entrei em meu quarto.

Perturba-me um mar de contradições. Duvido; tenho medo; penso coisas estranhas que não me atrevo a confessar a mim mesmo. Deus que me proteja, ao menos para o bem daqueles que me são caros!



Escrito por DAIS às 10h04
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surpreso

4 de maio — O dono do hotel, segundo fui informado, recebeu uma carta do Conde, dando-lhe instruções para reservar o melhor lugar para mim na diligência. Quando o interroguei a esse respeito, porém, ele me pareceu reticente e fingiu que não estava entendendo o alemão que eu falava. Isso não podia ser verdade, pois, antes, já o havia entendido perfeitamente; pelo menos, respondeu minhas perguntas como se as tivesse entendido. Ele e sua mulher, a velha que me recebera, entreolharam-se, parecendo amedrontados. Quando perguntei ao dono do hotel se conhecia o castelo do Conde Drácula, tanto ele como sua mulher se resignaram que nada sabiam. Mas já estava tão perto da hora de partir que não tive tempo de fazer perguntas a outra pessoa àquele respeito. Parecia haver um certo mistério, nada tranqüilizador. Pouco antes de minha partida, a mulher do dono do hotel foi ao meu quarto e perguntou, sem esconder um grande nervosismo:

— O senhor tem mesmo que ir? Jovem Herr, tem mesmo que ir? Estava tão excitada que custei a entender o que dizia. Parecia não estar mais dominando o pouco do alemão que conhecia e o misturava com alguma outra língua que eu desconhecia. Quando lhe respondi que não podia deixar de ir, pois estavam me esperando para um negócio importante, perguntou de novo:

— Sabe em que dia estamos?

Respondi que era 4 de maio, mas ela sacudiu a cabeça e retrucou:

— É claro! Sei muito bem, mas sabe que dia é hoje?

Como eu lhe dissesse que não estava compreendendo, ela continuou:

— Hoje é a véspera do dia de São Jorge. Não sabe que hoje, quando o relógio bater meia-noite, todos os espíritos malignos do mundo estarão soltos? Que acontecerá, então, com o senhor?

Parecia tão assustada que procurei acalmá-la, mas em vão. Acabou caindo de joelhos diante de mim, suplicando-me que não partisse, que esperasse, pelo menos, mais um ou dois dias. Sua atitude parecia-me verdadeiramente ridícula e acabei ficando nervoso. Reafirmei que negócios importantes exigiam minha partida. Ela se pós de pé, enxugando os olhos, e, tirando um pequeno crucifixo, entregou-mo. Como membro da Igreja Anglicana, fiquei sem saber o que fazer, pois considero tais objetos como idólatras mas, ao mesmo tempo, não queria desapontar a velha senhora, que estava tão bem intencionada e em tal estado de espírito. Creio que ela percebeu minha hesitação, pois tratou de colocar, ela mesma, o crucifixo em meu pescoço, dizendo-me:

— Por amor de sua mãe!

Logo depois, retirou-se do quarto.

Estou escrevendo estas linhas enquanto espero a diligência, já atrasada. Conservo o crucifixo no pescoço. Não sei se é a sua presença ou porque a dona do hotel tenha me contagiado com seu nervosismo, mas o fato é que não estou me sentindo muito à vontade, como habitualmente. Se este caderno chegar às mãos de Mina antes que eu volte para junto dela, aqui lhe deixo meu adeus.

A diligência está chegando!...surpreso



Escrito por DAIS às 10h27
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Na correria

3 de maio. Bistritz — Parti de Munique às 8:35 da noite e cheguei a Viena na manhã seguinte, muito cedo; devia ter chegado às 6:46, mas o trem estava atrasado uma hora. Tive ótima impressão de Budapeste, pelo que pude ver do trem, e pelo pequeno passeio que dei pela cidade. A impressão que tive foi a de estar saindo do Ocidente e entrando no Oriente.

O tempo estava muito bom quando partimos e, ao anoitecer, chegamos a Klausenburg, onde passei a noite no Hotel Royale. Ali jantei, ou melhor, ceei, uma excelente galinha temperada com uma espécie de pimenta vermelha. (Nota: arranjar receita para Mina.) Meu alemão, embora eu o fale mal, me foi muito útil; para falar a verdade, não sei como me arranjaria sem ele.

Antes de partir de Londres, como dispunha de algum tempo, fiz uma visita ao Museu Britânico, onde consultei livros e mapas referentes à Transilvânia. Descobri que a região por ele mencionada fica perto das fronteiras de três Estados: Transilvânia, Moldávia e Bucovina, nos Montes Cárpatos, um dos lugares mais selvagens e menos conhecidos da Europa. Não consegui localizar, exatamente, o Castelo de Drácula, mas verifiquei que Bistritz, a localidade mencionada pelo Conde Drácula, é bem conhecida. Vou recorrer aqui a algumas das minhas notas, pois elas poderão refrescar-me a memória, quando conversar com Mina a respeito das minhas viagens.

A população da Transilvânia se compõe de quatro nacionalidades: os saxões, ao sul, e misturados com os valáquios, descendentes dos dácios; os magiares, a oeste, e os zequelis, a leste e norte. Estou viajando para a região habitada por estes últimos, que se dizem descendentes de Átila e dos hunos. Segundo li, existem ali as mais curiosas superstições do mundo. (Nota: falar ao Conde a esse respeito.)

Não dormi bem, apesar de minha cama ser bastante confortável, pois fui perturbado, por sonhos esquisitos. Durante a noite inteira, um cão ladrou sob a minha janela, e talvez tenha sido ele que me prejudicou o sono, ou, talvez, tenha sido a pimenta que comi no jantar. O fato é que bebi um frasco de água inteirinho, pois senti uma sede ardente.

Somente quando já estava quase amanhecendo foi que consegui conciliar o sono e fui despertado por pancadas repetidas na porta do quarto, de maneira que acho que estava, mesmo, dormindo profundamente.

Como primeira refeição, me deram mais pimenta vermelha e uma espécie de mingau de farinha de milho, chamado “mamaliga”, um ovo misturado com carne, que constitui um prato excelente, chamado “impleata”. (Nota: pedir a receita, também.)

Tive de comer apressadamente, pois o trem partia às oito horas. A verdade é que ainda esperei dentro dele uma hora inteira, até que ele partisse. Parece que quanto mais a gente avança rumo ao Oriente, tanto maiores se tornam os atrasos. Como é que se arranjarão na China? Durante todo o dia atravessamos uma bela região, entremeada de aldeias ou castelos situados em encostas de colinas íngremes. Em todas as estações, havia grupos de camponeses, metidos em seus trajes regionais. São pitorescos e parecem, à primeira vista, bandidos orientais. São inofensivos, contudo, segundo me disseram. Já escurecera quando chegamos a Bistritz, que é uma velha localidade, muito interessante. Situada praticamente na fronteira com a Bucovina, tem tido uma existência tempestuosa e mostra os sinais disso. Há cinqüenta anos, ocorreu aqui uma série de grandes incêndios, que provocaram enormes prejuízos, em cinco ocasiões diferentes. No começo do século XVII, suportou um sítio que durou três semanas, tendo perdido 13.000 pessoas, e as baixas da guerra foram acrescidas dos que morreram de fome e miséria.

O Conde Drácula me havia indicado o Hotel Coroa Dourada, onde eu já era esperado. Uma anfitriã simpática, vestindo trajes regionais, recebeu-me e deu-me as boas vindas.

— É o Herr inglês? — perguntou, fazendo uma mesura.

— Sim — respondi. — Sou Jonathan Harker. Sorrindo, ela fez um sinal a um velho em mangas de camisa, que se retirou e voltou, pouco depois, trazendo-me a seguinte carta:

Meu amigo: Seja bem-vindo aos Montes Cárpatos. Espero-o com ansiedade. Desejo que passe uma boa noite e amanhã, às três horas, tome a diligência que se destina a Bucovina, e na qual já está reservado um lugar para o senhor. No Passo de Borgo, minha carruagem o estará esperando e o conduzirá até mim. Espero que sua viagem de Londres até agora tenha sido boa e estou certo de que será agradável sua estada em meu belo país. Seu amigo,

DRÁCULA.Cansado



Escrito por DAIS às 10h19
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 Objetivo do trabalho: Conhecer “contos clássicos infantis” e criar a Releitura deste conto, utilizando-se da linguagem informal da web e da ferramenta blog.



Escrito por DAIS às 11h47
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   Este blog é parte integrante do trabalho da disciplina se Língua Portuguesa – “Releitura de Contos” sob a surpevisão da professora Talita Pereira da Silva e da Analista de Suporte em Informática Camila Bezerra



Escrito por DAIS às 11h46
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